Duas escolas de Joinville tornam-se exemplos com ações que estão vencendo a violência em nome da cidadania
Palavrão, tapa na cara, vandalismo e ameaça não deveriam ser parte da rotina de escolas. Mas, de algumas, são. Que o digam alunos e professores da Escola Estadual Higino Aguiar, em Araquari. Dias depois de se trancarem nas salas com medo das ameaças de agressão com correntes, eles encontraram salas depredadas e banheiros imundos. A ação era resultado de vandalismo. De gente que, às vezes, nem aluno é. Mas, de algum jeito, está ligado àquele colégio. É difícil, mas tem jeito. Bons exemplos não estão longe. Escolas estaduais como a Marli Maria de Souza e a Nagib Zattar, de Joinville, passaram por maus bocados há três, quatro anos. Estão se reerguendo com uma receita aparentemente simples: participação da comunidade. Também lançaram mão de ações como ter regras claras para alunos, tratá-los com carinho e ter vigilância privada 24 horas. “A mudança começa quando o aluno percebe que a escola é parte do seu cotidiano. E quando vizinhos, pais e professores adotam a escola, cuidam como se fosse sua”, diz a doutora em educação Maria Madalena Martins. Mas como fazer isso em uma escola com baixo rendimento, em que os problemas estão, também, fora dos portões? “Disciplina, diálogo e persistência. Uma mudança dessa dura anos”, diz a professora. Mariza Scholz, diretora de um dos maiores colégios públicos de Joinville, o Maria Marli de Souza, no Jardim Edilene, concorda. Ela chegou em 2006 – foi a quarta diretora daquele ano. A escola – e o bairro recém tinham passado por uma força-tarefa do Ministério Público, polícia e Juizado da Infância e da Juventude. Meses antes, gangues apavoravam dentro e fora da escola. “Tomavam banho na caixa d’água, furtavam. Toda segunda-feira eu ia fazer um boletim de ocorrência (BO)”. No bairro Jardim Paraíso, na escola Nagib Zattar, gangues “informais” também tocavam o terror dentro da escola, entre 2006 e 2008. A quadra era constantemente pichada, havia consumo de drogas no pátio. A escola foi assaltada mais de uma vez. Até computadores foram levados. Uma morte chegou a ocorrer no ginásio, num final de semana. Tudo isso reflete, claro, nos estudos. Nenhuma dessas escolas jamais alcançou a média de Joinville das notas do Enem (exame nacional do ensino médio). Da última avaliação (2008), a Higino Aguiar é justamente a pior. Fica baixo até da média de Araquari, que já não é alta.
O QUE MUDOU
Escola: Nagib Zattar.
Bairro: Jardim Paraíso – zona Norte.
Alunos: 1,2 mil.
20/5/2007 No ginásio da escola, no fim de semana, Roberto dos Santos, 17, morreu com um tiro na cabeça. A discussão ocorreu causa de um boné.
24/5/2007 A estudante Daiane Marques de Oliveira morreu quando tentou defender a mãe, Maria Rosa de Lima Rodrigues. A menina levou uma facada no coração.
28/5/2008 Um grupo de professores alertou para o clima pesado na escola. Alunos estariam sendo ameaçados de morte.
AS AÇÕES NA ESCOLA 1. Discute as regras com pais e alunos.
2. Trata os alunos com respeito e limite, mas sem esquecer o carinho.
3. Controla quem entra e sai na escola.
4. Criou cursos técnicos, que aumentaram o interesse dos alunos. Antes, os que queriam fazer vestibular não chegavam a 10%. Hoje, quase metade dos alunos têm essa meta.
5. Para evitar que alunos do período noturno pulem janelas no intervalo e saiam da escola, passaram a ocupar as salas do 2º andar.
6. O cigarro foi proibido.
7. O conselho comunitário ganhou força e hoje interfere nas decisões da escola.
8. A direção estimula os alunos a entregarem as brigas antes que elas aconteçam, para que se busque uma solução em conjunto, sem violência.
9. Vigilância privada 24 horas.
10. Presença constante da Polícia Militar.
RODRIGO STÜPP – A Notícia 23 de novembro de 2009
Abreijos Jaisson Rodrigo Schulter Blau
Escrito por Blog do Paraíso 
