O Jornal do Paraíso é um veículo de comunicação comunitária desenvolvido pela comunidade do bairro Jardim Paraíso, de Joinville, Santa Catarina, com o apoio do Núcleo de Estudos em Comunicação, Necom.
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Matéria principal do mês de outubro:
O comércio vai bem. Obrigado!
por Priscila Noernberg
O comércio no Jardim Paraíso cresce em ritmo acelerado. Alguns setores são bem competitivos, outros ainda precisam dar os primeiros passos. Dados da Fundação Instituto de Pesquisa e Planejamento para o Desenvolvimento Sustentável de Joinville, Ippuj, de 2005, apontavam 41 indústrias, 46 comércios e 51 pontos de serviços. Os dados sobre renda per capita do bairro são de oito anos atrás: de acordo com o Diagnóstico da Exclusão Social em Santa Catarina, ela era de R$171,69/mês. Hoje o consumo e o número de comércios, segundo os próprios comerciantes, aumentaram.
Se antes era necessário se deslocar até o centro da cidade para efetuar pagamentos de FTGS, INSS e realizar transações financeiras, em novembro, os moradores poderão fazer tudo isso no bairro. Uma lotérica da Caixa Econômica Federal será instalada na Avenida Júpiter, número 538. Além das mudanças no setor financeiro, na gastronomia os moradores do Paraíso também vêm conquistando a diversidade. Aos 29 anos, Edson Burato decidiu morar e montar o próprio negócio no Paraíso. Como não havia nenhuma sorveteria, apostou na idéia. O movimento é sazonal e para não ficar no prejuízo durantes as estações frias, agregou o pastel à sorveteria. O diferencial do comércio de Edson é qualidade, mas com preço baixo em relação às tradicionais sorveterias e pastelarias da cidade. Outro fator que chama a atenção é a diversidade nas opções. É possível saborear milk-shake, sorvete expresso, buffe à quilo ou os tradicionais picolé e sorvete na casquinha. Nos oito meses de atuação, Edson conta que ainda não conseguiu repor o investimento, no inverno chegou a ficar no vermelho, mas não pensou em desistir. O comerciante explica que sorvete não é necessidade básica, pelo contrário, é supérfluo e por isso as pessoas ainda têm receio em comprar.
Se Edson tem dificuldades para atrair a atenção dos clientes, Amilton Velter de Souza, o Nego, não. Ele é proprietário, há 10 anos, de uma verdureira: “O negócio é razoavelmente bom. As pessoas são obrigadas a comer frutas e verduras, por isso sempre tem movimento”, explica Nego. Com a necessidade de uma alimentação saudável, o cliente faz a procura por determinados alimentos no inverno e no verão. No calor, compra-se mais frutas, no frio, mais verduras. Aluízio Gonçalves da Silva, 41 anos, é freguês da verdureira, mas não compra tudo o que a família consome apenas nesse estabelecimento: “Tem que dividir. Compro um pouco em cada lugar porque cada um tem que ganhar um pouco”.
Se não é necessário sair do Paraíso para comprar um belo cacho de uva, tampouco é preciso ir ao centro para arrumar o carro. Entre vários, Evanildo Cruz, 55 anos, também atende aos chamados de proprietários de automóveis há mais de seis anos. Ele trabalha com a parte mecânica: “Nunca me faltou serviço”, relata. Normalmente os concertos são realizados na própria oficina, mas se houver o chamado de algum cliente, “também dou um jeito”, ressalta.
Outro Edson que anda fazendo sucesso no bairro é o Edson Luis de Souza, 31 anos. A família dele é dona do único posto de combustíveis do Jardim Paraíso, mas para ele isso não é sinônimo de folga, pelo contrário: “É preciso ter responsabilidade e oferecer produtos de qualidade, porque se eu não fizer isso, perco os meus clientes”. Edson atua no Paraíso há seis anos, mas reside no Saguaçú. No entanto, confessa que criou um vínculo muito forte com os clientes do posto que são formados, em sua maioria, pelos próprios moradores.
Quem acompanhou o desenvolvimento e cresceu junto com o Paraíso foi o comerciante Paulo Cezar, 27 anos. Ele e a esposa Daiana são responsáveis pelo supermercado da família, presente no bairro há oito anos. Paulo conta que a lucratividade com o comércio no Jardim Paraíso não fica atrás das outras duas lojas, situadas em outros bairros de Joinville.
Quando o assunto é beleza, a oferta é imensa. É difícil contabilizar a quantidade e variedade de salões espalhados por todo o bairro. Luzia Lopes, 42 anos, trabalha nesse setor, um dos mais competitivos. Cabeleireira há seis anos, deixou o salão no bairro Costa e Silva, três anos atrás, para abrir um no Paraíso. Além da grande oferta, Luzia aponta outra dificuldade comum aos profissionais da área: a legalização do negócio. “É uma absurdo, em um ano paguei mais de mil reais em taxas e impostos”, desabafa. Aos problemas, Luzia propõe uma solução: “Seria bom que a gente fosse mais unida. Acho que um sindicato, aqui no bairro, seria muito bom. O sol nasce para todos, tem trabalho para todo mundo, mas é preciso que as pessoas sejam mais unidas”.
Se está na hora do café e não há pão em casa, é possível encontrar vários lugares para comprá-lo. Um deles é o estabelecimento de Dulce Regina Braatz, 41 anos. Há cinco ela e a família vieram ao bairro e decidiram investir em algo que ainda não sabiam se daria certo: a panificação. O marido de Dulce era caminhoneiro e, depois que sofreu um acidente, decidiu mudar de vida. “Tivemos que trabalhar muito. É bem cansativo porque trabalhamos de domingo a domingo, mas vale a pena estar aqui e fazer o que fazemos”, confessa Dulce.
E depois de abastecer o carrão e o carrinho do supermercado, gastar com verdura, sorvete, pão, carro e cabelo que tal mudar o guarda-roupa? Se não tiver muito dinheiro para comprar algo novo, porque não usar a criatividade e montar um traje com roupas usadas? Entre as várias opções disponíveis no Paraíso, está a loja de Sandra de Gregório, 40 anos. O trabalho veio da necessidade financeira, mas era preciso uni-lo às tarefas domésticas e ao cuidado com os filhos. Sandra decidiu comercializar, na própria casa, peças de vestuário usadas. Há 10 anos ela complementa a renda do marido – caminhoneiro – e ajuda a sustentar a família.



Janeiro 9, 2009 às 11:28 pm |
Adorei saber noticias do bairro jardim paraiso , morei neste bairro 18 anos estou a 10 anos em Orleans ,deichei muitos amigos ai.
t++